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Venice Beats

Entre os becos de Veneza e a luz dourada de Lido, a DJ Martha Pinel — em plena ascensão na cena eletrônica europeia — incorpora o verão com estilo e atitude. Moda e música se fundem em ritmo próprio, leve e autêntico, como ela.

Óculos Bottega Veneta, vestido acervo, saia Strobo, bolsa Von Trapp e sapatos acervo
Como e quando você descobriu sua paixão pela música eletrônica?

“Comecei a tocar em 2014, de uma forma totalmente despretensiosa. Na época, uma amiga minha tinha uma boate no Rio, a Cave, em Ipanema, e ela precisava de alguém para cobrir um slot de abertura para outro DJ. Como eu era sempre a que fazia as playlists de Spotify das viagens e da galera, ela me chamou pra fazer o warm up, e eu topei. Nunca imaginei que aquilo viraria minha profissão. Depois dessa experiência, comecei a estudar, a ir mais a fundo, e também comecei a produzir uma festa no Rio. A ideia era criar um espaço diferente, trazer um eletrônico com uma energia leve, trazer artistas de fora com essa pegada que a cena brasileira ainda não conhecia muito bem. Tudo era feito com muita vontade e curiosidade — a gente queria mesmo agitar o cenário local, abrir espaço para novas sonoridades, e, claro, se divertir. Foi um processo orgânico, e esses encontros acabaram rendendo conexões muito legais, que naturalmente me levaram a circular pela Europa depois.”

Óculos Balenciaga, jaqueta e maiô Haight e shorts Drama
Conjunto Cosmo Rio, óculos Prada, bolsa Paloma Wooll e sapatos acervo
Quais foram os maiores desafios que você enfrentou no início da sua carreira como DJ? Como mulher na cena eletrônica, você já enfrentou preconceitos ou estereótipos?

“Um dos maiores desafios desde o início — e que, de certa forma, ainda enfrento — é o fato de ser mulher em uma indústria majoritariamente masculina e machista. Meu processo de evolução na carreira foi muito mais lento do que provavelmente seria se eu fosse um homem. Precisei me provar muitas e muitas vezes que eu merecia estar ali no palco, que eu sabia o que estava fazendo. Enquanto para muitos homens a presença já é validada de partida, nós, mulheres, ainda precisamos justificar nosso lugar constantemente. Mas aprendi a lidar com isso, a me posicionar, e a transformar essa luta em força. Estar aqui hoje, ocupando esse espaço, também é uma forma de abrir caminho para outras mulheres.”

Você já trabalhou com moda antes de ser DJ. Como essas duas áreas se conectam pra você?

“Antes de ser DJ, eu trabalhava com moda — que, pra mim, sempre foi uma forma poderosa de expressão. Assim como a música, a moda comunica quem você é, o que você sente, o que você quer dizer pro mundo. Então, quando eu comecei a tocar, foi natural unir essas duas linguagens. 

Vestido e biquini Haight
Como surgiu a oportunidade de levar seu som para a Europa?

“Esses encontros que rolaram nas festas que eu produzia no Rio acabaram rendendo conexões muito legais, que naturalmente me levaram a circular pela Europa depois. Foi tudo muito orgânico.

Quais são as principais diferenças que você percebe entre o público brasileiro e o europeu?

“Tocar no Brasil é sempre especial. O público brasileiro é incrivelmente caloroso — a troca de energia é única. Na Europa, cada país tem sua própria particularidade.

Existe algum país ou cidade que te marcou especialmente durante suas apresentações na Europa?

A Itália, em especial, me marcou muito: o público é quente, intenso, muito parecido com o nosso. Foi lá, inclusive, que fizemos as fotos e filmagens desse projeto.”

Tricô e biquini Haight
Maiô Haight, toalha listrada Frescobol Carioca e óculos acervo
Tem algum lançamento ou projeto novo que pode compartilhar com a gente?

“Hoje, 11 anos depois, estou lançando meu primeiro EP pela Toy Tonics, agora em agosto — uma label que eu admiro muito e pela qual me sinto extremamente honrada de lançar meu trabalho. Esse EP “Real Rio” começou a tomar forma durante um momento de redescoberta da minha cidade natal, o Rio de Janeiro, após passar muito tempo fora viajando. Este projeto é uma celebração dessa reconexão, capturando os aspectos mais autênticos e viscerais da cidade — um lugar onde a beleza e o caos coexistem, com altos e baixos dramáticos.”

Fotos e Entrevista Higor Bastos
Styling Martha Pinel