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Luana Roberta

Oi! Sou Luana Roberta, 27 anos, fotógrafa e diretora, nascida em Sumaré, interior de São Paulo.

Durante muito tempo, assumir esse lugar como fotógrafa e diretora parecia algo grande demais para mim, como se eu ainda não tivesse bagagem suficiente para isso. Com o tempo, entendi que essa sensação vinha justamente porque a fotografia e a arte sempre existiram dentro de mim de forma muito natural. Elas foram, e ainda são, minha forma de expressar sentimentos que não poderiam ficar guardados apenas na minha cabeça.

Desde criança, a arte sempre me acompanhou. Gostava de música, dança, desenho e escrita. A fotografia também estava presente na minha família: tive tios fotógrafos, e minha mãe cultivou o hábito de registrar momentos da nossa vida. Até hoje revisito esses álbuns e quero retomar essa prática de revelar fotografias.

Na adolescência, escolhi cursar técnico em Comunicação Visual, onde tive meu primeiro contato com a fotografia de maneira mais poética. Um professor, Hugo, dizia que toda fotografia precisava carregar um sentimento, tanto para quem a faz quanto para quem a vê. Aquilo foi um divisor para mim. Finalmente eu tive um espaço para mostrar ao mundo a beleza que meus olhos já enxergavam, e as histórias que eu queria contar. Aos 18 anos, também comecei a me aprofundar nas questões raciais, me aproximando de outras mulheres pretas para compartilhar dores, descobertas e caminhos. Nesse período, a fotografia se tornou um elo entre eu e elas.

Comecei fazendo retratos, montando cenários em casa e explorando espaços da cidade. Na trilha sonora dessa fase estava Zero, de Liniker, e eu não imaginava que, anos depois, teria a honra de fotografar essa artista incrível da música brasileira.

Decidi então que a fotografia seria minha carreira, de forma inegociável. Estudei luz, tratamento de imagem e me dediquei a cursos e pesquisas independentes. Ensinei também em algumas instituições, e pude ser professora de fotografia no SENAC por um período no curso de produção de moda.

Alguns anos depois, São Paulo se abriu para mim. Meu trabalho começou a circular e, com ele, vieram novas conexões. Rapidamente me mudei para a capital e mergulhei nos universos da moda, música e publicidade. Trabalhei como assistente, experiência que foi fundamental para entender na prática o funcionamento de um set.

A partir daí, tudo se expandiu. Fiz parte da A Arca, produtora formada por mulheres que me trouxe aprendizados e oportunidades incríveis. Foi através delas que conheci Liniker de perto e pude fotografar shows, campanhas de merchandising e produzir conteúdos para o álbum Índigo Borboleta Anil (deluxe).

A música sempre foi minha maior companheira e já me conectou a um grande catálogo de artistas brasileiros. A moda, por sua vez, abriu novas portas e me deu espaço para continuar contando histórias por meio da fotografia, e acredito que vou caminhar muitos anos com ela.

Entre meus trabalhos recentes, destaco a publicação na revista Glamour, em um ensaio que discute o lugar das mulheres negras e gordas na moda, em meio ao retorno (que nunca deixou de existir) da estética da magreza. Convidei duas modelos para compartilhar suas vivências, transformando o ensaio em um espaço de troca, sentimento e reflexão para além do produto vendável.

Hoje, meus planos futuros caminham em direção ao cinema e ao registro da cultura do interior do Brasil, como forma de resgatar meu olhar e a criatividade fotográfica em novas linguagens.

Sou grata por todos os lugares e pessoas que a fotografia já me apresentou. Ser mulher preta e artista no Brasil é desafiador, mas já me considero um grande sucesso para a Luana, de 18 anos, que sonhava intensamente com tudo que hoje se tornou realidade.