
Do amor pela bateria ao envolvimento com a cultura dancehall, Humberto Morais (@humbertomoorais) constrói uma trajetória marcada pela curiosidade e pela experimentação. Formado em Artes Cênicas pela Escola de Atores Wolf Maya, o ator iniciou o percurso no teatro e, aos poucos, ampliou o olhar para o audiovisual. Em conversa com a Fort, fala sobre seus processos de criação e a importância da representatividade, além de refletir sobre como a arte atravessa o cotidiano e se torna um espaço de aprendizado.
1. Humberto, queria começar com algo simples: quando você pensa na sua infância e juventude, qual foi o primeiro momento em que sentiu que queria mesmo ser ator? Teve algum episódio ou referência que marcou esse “chamado”? Eu sempre achei que ia para o mundo da música. Toco bateria desde pequeno e me arriscava a escrever rap. Na adolescência, participei de um coletivo de ragga e dancehall com um dos cantores que me fez me apaixonar pelos palcos. Fui estudar teatro para me desenvolver melhor no palco e o amor me enredou.




Tive um time de professores fenomenal. A pandemia foi o momento em que comecei a me dedicar mais ao audiovisual, me gravando e fazendo cursos. Foi ali que o cinema entrou na minha vida de vez



A cultura me formou como cidadão. Desde sempre as artes e os costumes me interessam muito. E, para a construção dos meus personagens, cada caso é um caso. Para o Marlon, de Dona de Mim, fui por um caminho de documentários e algumas trilhas sonoras para instaurar uma temperatura para ele. A maior parte das minhas trilhas é de rap. Dependendo do rap, a atmosfera muda: uma coisa é construir com Racionais, outra com Síntese, Emicida, e outra ainda com os traps da nova geração. O rap é um estilo muito rico, cheio de camadas e histórias diversas. Para mim, é onde estão grande parte dos poemas da juventude negra brasileira.




