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Profundezas da Mente: bieL onLine

Em seu segundo EP, o produtor expande a linguagem construída entre funk, música ambiente e experimentação eletrônica

bieL onLine é produtor musical e DJ da extrema Zona Sul de São Paulo. Com Ritmo das Sombras, seu primeiro EP, começou a circular com mais força por uma cena formada entre o funk, o SoundCloud e os espaços da música eletrônica independente. O lançamento veio na esteira de DESCE LICOR LIBIDINOSO, faixa que passou a aparecer em pistas e sets para além do seu entorno imediato, abrindo um novo momento em sua trajetória.

Desde então, sua pesquisa sonora foi se tornando cada vez mais interessada em ambientação. Se no primeiro trabalho essas paisagens conviviam com a estrutura rítmica do funk, em Profundezas da Mente elas ocupam o centro das composições. Texturas, fragmentos e pequenos detalhes passam a construir espaços que parecem existir entre memória, percepção e imaginação.

O EP começou a ser produzido pouco depois da perda de seu pai, em um período de luto, e tomou forma ao longo de seis meses, entre pausas e retomadas. Sem tratar essa experiência de maneira literal, Biel aproxima o disco da forma como imagina o funcionamento do subconsciente: um lugar em que as memórias aparecem de maneira descontínua, desordenada e fora do tempo.




Como foi o processo de construção de Profundezas da Mente?

Esse EP surgiu em um momento muito nebuloso da minha vida. Eu havia acabado de perder meu pai e fiquei um pouco sem rumo para onde ir. Comecei a produzir as músicas cerca de um mês depois, então eu estava em uma das fases mais fortes e complexas do meu luto. Eu recorri à música porque foi um dos únicos pilares que se manteve firme na minha vida nesse período tenebroso em que eu também passei por um isolamento profundo. Foi a minha primeira grande perda, que me fez realizar que a vida simplesmente passa.

Durou cerca de 6 meses até eu conseguir terminar todas as faixas, entre muitas pausas e abandonos, até eu chegar nessa versão final que vai ser lançada.




O que você acha que mudou desde o seu primeiro lançamento?

Eu acho que o meu universo musical foi mudando muito desde o lançamento do Ritmos das Sombras, que foi o meu primeiro EP, e fui incorporando tudo isso nesse último trabalho que estou soltando agora. É como se eu tivesse aguçado cada vez mais a minha capacidade de percepção sonora e tivesse ficado mais atento aos detalhes do som que vão criando as ambientações que ninguém repara. Sempre gostei muito de ambientar as minhas músicas e imaginar cenários físicos para elas.

No Profundezas da Mente, é como se eu tivesse trazido essa ambientação para o primeiro plano, como se ela agora fosse a parte principal do som e não apenas parte do plano de fundo da paisagem sonora. Acho que isso que estou falando fica muito mais evidente nas primeiras três faixas. Eu imagino que nosso subconsciente seja um espaço em que as memórias se apresentam de uma forma descontínua, bagunçada e atemporal; eu trouxe isso para essas músicas.




Quem esteve perto desse processo?

Eu tive muito incentivo de alguns amigos próximos para terminar esse EP, que também me ajudaram a produzir o primeiro clipe desse projeto musical, Oakley Elite: o Gabriel Cavalcanti (@gabrielcvlc) e a Letícia Clementi (@lelecleclelele). Eles estiveram muito próximos de todo o processo, dirigiram juntos o meu clipe e cada detalhezinho que eu mudava nas faixas eu mandava para eles. Então, acho que foram as pessoas que mais acompanharam tudo de perto e que com certeza me ajudaram a finalizar tudo. Agora eu me sinto mais leve em poder jogar essas músicas para o mundo, e em poder aceitar também a efemeridade da vida.

Direção criativa e Fotografia: Gabriel Cavalcanti

Assistência de fotografia: Maria Julia Brito

Texto e Entrevista: Isabela Talamini