
Em 4 de setembro, das 17h às 20h, a Dystopic ocupa a Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro, com Camuflagem Rastreada, terceiro e último capítulo de uma trilogia iniciada com Refração sem Luz e Abismo, apresentados pela marca na Casa de Criadores.
Se Refração sem Luz investigou a desigualdade e o desejo de persistir, e Abismo encarou as estruturas que limitam corpos marginalizados, Camuflagem Rastreada trata a morte como passagem: desconstruir para transformar, desaparecer para reaparecer.


Em 13 looks, a Dystopic leva o upcycling e o descarte ao campo escultórico. Musgo natural, areia, engrenagens de relógios, calcário, cabelo, resina e materiais que simulam gelo são transformados em estruturas que aproximam roupa, instalação e corpo.
A pesquisa combina ainda látex pré-vulcanizado, vacuum forming, impressão 3D, burn-out, macramê, feltragem e sublimação. Técnicas e materiais fazem do resíduo mais do que sobra: volume, memória e linguagem.
A coleção parte da pesquisa sobre a “biologia do estilo”— a maneira como subculturas urbanas, de góticos e punks a clubbers e crentes, desenvolvem códigos, pertencimentos e estratégias de sobrevivência dentro do caos metropolitano.
Para a Dystopic, vestir é armadura simbólica, linguagem de pertencimento e dispositivo de sobrevivência. A pesquisa atravessa corpos pretos, indígenas, trans e periféricos e encontra no Bom Retiro um território marcado por memória têxtil, circulação e transformação.




Em vez de um desfile convencional, a Dystopic transforma a coleção em uma experiência performática que reúne nomes da cena contracultural paulistana, como Jup do Bairro, Miranda Caê, Katrevosa, Ymoirá Micall e Ayo Klunga, em uma ação que mistura corpo, som e matéria.
Miranda Caê abre a performance delimitando o espaço com um traçado de sal. Sensores piezoelétricos conectados a chapas metálicas e calçados transformam o movimento dos corpos em som, manipulado ao vivo pelo produtor Entropia.
Ao longo da ação, os performers ocupam, atravessam e reorganizam o espaço até se aglutinarem diante do paredão de som, formando uma massa corporal que encerra a apresentação.




A ocupação também marca uma nova etapa da Dystopic. No saguão da Oficina, uma exposição apresenta sua nova linha de peças comerciais, aproximando a linguagem experimental da marca ao cotidiano.
Vestidos bubu, t-shirts e sobreposições trazem estampas como “ANOMIA” “METROPOLIK” e ,“SÃO PAULO PRECISA DORMIR” , disponíveis para compra pelo Instagram oficial da marca a partir do evento.
No final de setembro, a Dystopic amplia esse movimento com o lançamento do Dystopic Hub, plataforma digital que reunirá e-commerce, videoarte, arquivo audiovisual, artes visuais e documentação de suas criações.
A programação inclui ainda a formatura do Laboratório Antifashion Performance, projeto de formação horizontal criado pela Dystopic para novos criadores periféricos, com mentorias e bolsas de estudo.
A iniciativa reforça uma dimensão central da marca: criar não apenas objetos, mas espaços para novas narrativas, corpos e linguagens.


Fundada há cinco anos por Rattz, Quebrantxy e Dono Julian — artistas, estilistas e performers da cena contracultural de São Paulo — a Dystopic atua entre moda, performance, audiovisual e artes visuais.
A partir do resíduo, da escassez e das experiências de corpos colocados à margem, o coletivo transforma roupa em ferramenta de expressão, pertencimento e provocação. A Dystopic é uma plataforma para imaginar outras formas de existir.

